Analisando os dados de tentativas de feminicídio, observa-se que o número de casos é muito maior e apresenta uma série de incongruências entre as informações divulgadas pela Secretaria de Segurança Pública do Espírito Santo (SESP) e o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp).
De acordo com o Sinesp, em 2025, foram 66 casos de tentativas de feminicídio no estado. Já o Painel da Violência Contra as Mulheres da Secretaria de Segurança Pública do Espírito Santo (SESP), apresenta 90 casos. Além disso, analisando os registros do Sinesp, observa-se que o ES começou a enviar esses da dos somente em 2023, ou seja, um lapso de oito anos após a tipificação desse crime.
Essas incongruências nos dados corroboram a crítica apresentada pelo Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Mulher do Espírito Santo (CE DIMES). De acordo com Thâmara Gomes, atual presidenta do Cedimes, há anos o Conselho de nuncia o problema da sub notificação e essa questão foi destaque inclusive no relatório final da Auditoria realizada pelo Tribunal de Contas/ES entre 2022 2024.
“Recebemos inúmeros relatos de mulheres que sofreram tentativa de feminicídio, mas que no momento da denúncia foi classificado como lesão corporal grave. Além disso, é comum ouvir dos servidores que não há tempo hábil para preencher todo o formulário e, aí, a denúncia fica com dados equivocados. A auditoria identificou que a inexistência de uma base de dados padronizada, unificada e acessível dificulta o monitoramento”, afirma Thâmara.
O Fórum de Mulheres do Espírito Santo (Fomes) também denunciou a subnotificação no Estado, “Sabemos que há subnotificação da violência contra mulheres, resultado direto das barreiras impostas pelo próprio Esta do: dificuldade de acesso aos serviços, precariedade estrutural do atendimento e descrédito da palavra da mulher. O crescimento contínuo dos registros escancara o fracasso da política de proteção. A mulher denuncia, o risco aumenta e o Estado não age para impedir a escalada da violência. O descumprimento de medidas protetivas, sem resposta efetiva, expõe mulheres a tentativas de assassinato que pode riam, e deveriam ter sido evitadas”, denunciou em nota pública.
Thâmara relata ainda os desafios enfrentados pelas mulheres que que rem fazer a denúncia. “Muitas acabam desistindo, passam horas esperando, com filho no colo. No interior, onde as delegacias são regionais, a mulher tem que se deslocar de uma cidade a outra. Faltam delegacias especializadas e as que têm não respeitam a lei de funcionamento 24h, as equipes não estão preparadas pro atendimento, as mulheres sofrem outras violências diante de policiais ríspidos, sem acolhimento pra essa mulher já tão fragilizada”, disse.

